domingo, 29 de junho de 2014

A culpa é toda minha

Quando uma amiga disse num grupo desses do whatsapp que havia lido A Culpa das Estrelas e recomendava o livro, fui a primeira a dizer que não leria. E continuo sem nenhuma vontade de lê-lo. Pensei, poxa mais uma história sobre jovens e câncer, um jeito fácil de emocionar. E realmente é isso mesmo.

Praticamente todas às vezes que fui ao cinema nas últimas semanas tinha o trailer do bendito, agora transformado em filme. Eles se conhecem da maneira mais clássica possível, com uma batida de ombro, sabe aquela bati e encontrei o amor da minha vida.

Vi o filme da maneira mais despretensiosa possível. E veja bem, eu desaguei em lágrimas, um oceano inteiro delas, brotaram aos montes. Talvez se estivesse acompanhada choraria menos, faria algum comentário ou piada com a pessoa ao lado, mas estava só, podia no escuro chorar o quanto queria.

Depois do fim do filme ainda continuei emocionada, nesse momento eu não chorava mais pela história contada, mas sobre aquele sentimento estranho que ela me causou, sobre a vida e morte, ser grato, amar.

Não lembro qual foi a última vez que chorei tanto em um cinema. Não vou dizer que é o filme da vida, ou que a história é incrível, mas hoje ele me emocionou bastante. Ele é isso mesmo que se propõe a ser e cumpriu sua função, ok?! 

domingo, 25 de maio de 2014

sobre selfie ou viver de um modo o mais fotografável possível


O selfie da Elen Degeneres durante a cerimônia do Oscar desse ano foi tweet mais retuitado de toda a história. Em 2013 o dicionário Oxford elegeu selfie como a palavra do ano. Fazer auto-retratos parece ter se adequado como forma de expressão comum na cultura contemporânea. O selfie caracteriza nosso egocentrismo e eterna necessidade de apreciação e reconhecimento agora convertidos em likes. 

Há que defenda que os selfies não são só sobre narcisismo e auto-obsessão. Esse artigo na Urbans Timens apresenta os selfies como uma prática antiga que começou lá nas cavernas. Embora as pinturas rupestres não possam ser muito bem classificadas como selfies. Os auto-retratos de artistas como Picasso, Yayoi Kusama são selfies? Seria a Frida Kahlo com sua majestosas sobrancelhas a maior selfier da história?

O pesquisador Lev Manovich, doutor em Cultura e Arte Digital, criou o projeto Selfiecity, uma investigação sobre a prática do selfie em 5 cidades do mundo (Bangcoc, Berlim, Moscou, Nova York e São Paulo). O projeto utilizou análise e visualização de dados de milhares de fotos para revelar padrões interessantes. Nem só de selfies vive o Instagram, das imagens coletadas apenas 4% são selfies. O resto são fotos de gatos, carros, pés ou comida. As fotos são predominantes entre grupos estimados entre 20 e 25 anos. E são as mulheres em todas as capitais que mais fazem selfies, elas também fazem poses mais expressivas. E se o tamanho e quantidade de sorrisos podem indicar felicidade, os brasileiros são os mais felizes. 

Não tenho problema com o  selfie, mas vivermos como eternos turistas do cotidiano. Turistas tem essa empolgação pelo local e passam todo tempo criando memórias, registrando lugares, correndo atropeladamente. Tenho sempre a sensação que quando somos turista não prestamos atenção em nada, estamos tão maravilhados e com tanto o que fazer que quase não observamos. 

"É só você começar a dizer a respeito de alguma coisa: ‘Ah, que bonito, tinha era que tirar uma foto!’, e já está no terreno de quem pensa que tudo que não é fotografado é perdido, que é como se não tivesse existido, e que então para viver de verdade é preciso fotografar o mais que se possa, e para fotografar o mais que se possa é preciso: ou viver de um modo o mais fotografável possível, ou então considerar fotografáveis todos os momentos da própria vida. O primeiro caminho leva à estupidez, o segundo à loucura." (citação retirada do the cactus tree).

segunda-feira, 19 de maio de 2014

todo amor é bonito


Todo mundo conhece o Antônio, não é?
Essa é uma imagem que eu quero colocar numa moldura e pendurar na parede.
Um dia... 
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domingo, 18 de maio de 2014

aleatoridades

Eu leio horóscopo como quem lê biscoitos da sorte. Os textos são sempre vagos, tentam ser profundos e com um tom de solenidade. Mas eu gosto de conselhos, não que eu vá segui-los. Gosto também das frases nos sachês do chá.

Na época da faculdade como fazia frio na cidade que morava tomar chá era um ritual perto da hora de dormir meio sem nada pra fazer. Pegava um pacotinho de sachê aleatório e pensava que "grande" conselho estaria reservado. Outra época alguém me disse que o Livro de Provérbios (da bíblia) tinha 31 provérbios um para cada dia do mês. Por algum tempo eu li, mas geralmente esquecia e nunca completei o mês inteiro.

Talvez eu goste de pensar que existe algo bom na aleatoriedade. Faz com que eu dê menos valor aos acontecimentos. Como um trecho que gosto em 500 dias com ela “você não pode atribuir um significado cósmico a um simples evento terreno. Coincidência. É o que tudo é. Nada mais que coincidência.” 

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

success


e não é verdade? 

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

não quero se incrível


eu falei mal da auto-ajuda, dos seus livros, das pessoas otimistas e que andam sempre de cabeça erguida.

na verdade eu era uma poser-pseudo-intelectual que fazia o tipo "sou inteligente demais para ler isso". mas, ainda bem que o tempo passa e você aprende a encarar a vida com mais leveza. aprende a diferenciar um livro ruim do augusto cury com atitude positiva diante do cotidiano.

por que só ler os livros clássicos? às vezes a felicidade se transverte em uma bridget jones, um seriado popular estilo novelão ou numa música ruim, mas alegre.

Imagem Fábio Maca

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

O que eu quero ainda não tem nome.


Essa semana li esse texto do Think Olga sobre como tricotar pode ser algo libertador.

“Houve um movimento de conquista do mercado de trabalho e de independência financeira feminina cujo resultado foi o abandono (total ou parcial) dos trabalhos domésticos. Nos focamos no fator negativo de ser “dona de casa” e esquecemos de enxergar a liberdade existente nas nossas artes manuais.”

Confesso que desconheço o lado libertador das artes manuais e tão pouco tricotei.
Acredito que em um primeiro momento das lutas feministas recusar esse tipo atividade, embora um ato extremo,  era um simbolismo de libertação. E como todo simbolismo naquele período teve sua importância.

Mas, talvez só agora estejamos perto de “algo libertador”. É na escolha de realizar qualquer tarefa que reside a liberdade.